Os concertos dados pela Sociedade Filarmónica 25 de Setembro eram de tal maneira apreciados que, a 13 de Agosto de 1932, a Comissão Executiva da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho delibera, face à ausência de um espaço nobre ao ar livre para “concertos musicais”, mandar construir um coreto na Avenida José de Nápoles, anteriormente designada de “Alameda da Feira” ou “Avenida da Liberdade”, mais ou menos a meio do espaço onde se realizava o mercado quinzenal (Feira).
Alguns meses mais tarde, a 17 de Dezembro, a Câmara adjudica os trabalhos de pedreiro e serralheiro a Joaquim Rodrigues Medina, pedreiro do lugar da Quintã, freguesia da Carapinheira, por 5.000$00, com as seguintes condições: o arrematante era obrigado a fornecer todos os materiais necessários; a alvenaria a empregar nas paredes seria extraída das pedreiras de São Gens, propriedade de Francisco da Costa Rebelo, desta vila; as fundações dos alicerces teriam 1m de altura por 60 cm de espessura, e as paredes, do nível do terreno até ao pavimento superior, 50 cm de espessura, sendo que a cal a utilizar nas mesmas viria dos fornos do Amieiro ou Meco, na proporção de 1 m³ de cal por 2 m³ de areia do rio; os emboços e rebocos seriam feitos com cal hidráulica pelo exterior e com cal gorda do Meco pelo interior, possuindo cada corpo um ventilador; o pavimento da cave seria de “calçada à portuguesa” devendo levar uma camada de argamassa, feita com cimento e areia do rio, de 3 cm de espessura; proceder à feitura de uma escada móvel de madeira com 80 cm de largura e composta por 8 degraus; o pavimento superior seria feito em cimento areado, com a competente armação em ferro, levando uma porta em ferro; construir as colunas, assim como os corpos de cima que serviam de sustentação à armação da cobertura, em cimento areado; fazer 8 corpos de grades de ferro, com a espessura de 15 mm, em vergalhão; fazer uma porta em ferro com ventilador; todos os trabalhos executados em cimento areado seriam feitos com cimento LIZ e areia lavada do rio, na proporção de ⅓ de cimento por ⅔ de areia, conforme a planta; o prazo para a conclusão das obras seria de três meses, contados a partir do acto de adjudicação.
Relativamente à construção da cúpula do coreto, a mesma só viria a ser arrematada a 5 de Agosto de 1933, a Evaristo Ferreira, carpinteiro desta vila, por 4.000$00, comprometendo-se o mesmo a: fornecer todos os materiais necessários, devendo a madeira ser de “pinho da terra”; construir o tecto todo em madeira, sendo os corpos apainelados; fazer 8 corpos almofadados, no referido “pinho da terra”, com a espessura de 3 cm; colocar telha de Valongo, longa e preta, do tipo n.º 2, de 30 cm por 20 cm; proceder aos remates nos rincões e na pirâmide do centro da cúpula com zinco n.º 12; entregar a obra concluída até ao dia 15 de Setembro, inclusive, provavelmente a pensar numa inauguração que coincidisse com o 41.º aniversário da Sociedade Filarmónica 25 de Setembro.
Contudo, chegados ao dia do aniversário, o coreto não pôde ser inaugurado já que o primeiro arrematante ainda não havia colocado as grades e a porta, apesar de na vila constar que as mesmas já estariam feitas.
A inauguração só se viria a concretizar dois meses depois, a 31 de Dezembro, com a presença da Filarmónica que aí deu um concerto a todos os títulos inolvidável, quer pela qualidade do regente, músicos e repertório, quer pelo facto de ter sido o primeiro de muitos que se lhe seguiram.
Inaugurado o coreto, havia que “requalificar” o espaço envolvente dando-lhe a dignidade que a presença de tal obra exigia, pelo menos isso era o que pensavam alguns montemorenses como o correspondente do Diário de Coimbra nesta vila quando, dirigindo-se ao presidente da Câmara Municipal, apelava à demolição imediata, nas proximidades do coreto, de umas “barracas imundas que servem para mictórios e que representam uma autêntica vergonha”.
Com a construção, em 1988, do Jardim Municipal e do seu anfiteatro, o coreto, em cujo redor “gerações de jovens dançaram, namoraram e sonharam”, entra num processo de lenta agonia, definhando e degradando-se a cada dia que passava. De facto, para além do anfiteatro se ter revelado, pela sua configuração e qualidade (espacial, acústica, visual, confortabilidade, proximidade, etc.), um local mais atraente para a realização de concertos, entre muitas outras manifestações culturais, também a presença do coreto dentro do perímetro do dito Jardim Municipal não foi benéfica para aquele, quer pela sua má localização dentro do mesmo, quer pela sua exclusão, por motivos óbvios, do recinto das “Festas da Feira Anual”, retirando-lhe o protagonismo de que outrora gozara como símbolo das festas associativas em Montemor-o-Velho.No entanto, durante Verão de 2005 recebeu importantes obras de beneficiação, orçadas em mais de 15.000 euros, que lhe devolveram a beleza e nobreza há muito perdidas. Das obras realizadas, cuja “cerimónia da recuperação” e apresentação oficial aos montemorenses decorreu no dia 10 de Setembro, merecem especial destaque: a manutenção das cores originais amarelo, cinzento e branco; a colocação de uma escada de ferro forjado, com 9 degraus, virada a Oeste (Poente); a substituição do inestético telhado em folhas de zinco por um telhado de oito águas, em telha lusa, a terminar em concha e folha com pináculo; a colocação de um tecto de madeira de pinho, com oito secções e fecho ao centro em forma de candeeiro; a aplicação de uma sanefa de madeira recortada ao longo de todo o beiral; e a afixação, em quatro dos oito corpos do piso superior e de forma intercalada, de grandes painéis fotográficos que homenageiam todos os que fizeram parte da Associação Filarmónica 25 de Setembro, das Orquestras Tivoli-Jazz Montemorense e Serra e Moura, e do Conjunto Montemayor, afinal de contas os agrupamentos que mais marcaram os 72 anos de história deste coreto.
Alguns meses mais tarde, a 17 de Dezembro, a Câmara adjudica os trabalhos de pedreiro e serralheiro a Joaquim Rodrigues Medina, pedreiro do lugar da Quintã, freguesia da Carapinheira, por 5.000$00, com as seguintes condições: o arrematante era obrigado a fornecer todos os materiais necessários; a alvenaria a empregar nas paredes seria extraída das pedreiras de São Gens, propriedade de Francisco da Costa Rebelo, desta vila; as fundações dos alicerces teriam 1m de altura por 60 cm de espessura, e as paredes, do nível do terreno até ao pavimento superior, 50 cm de espessura, sendo que a cal a utilizar nas mesmas viria dos fornos do Amieiro ou Meco, na proporção de 1 m³ de cal por 2 m³ de areia do rio; os emboços e rebocos seriam feitos com cal hidráulica pelo exterior e com cal gorda do Meco pelo interior, possuindo cada corpo um ventilador; o pavimento da cave seria de “calçada à portuguesa” devendo levar uma camada de argamassa, feita com cimento e areia do rio, de 3 cm de espessura; proceder à feitura de uma escada móvel de madeira com 80 cm de largura e composta por 8 degraus; o pavimento superior seria feito em cimento areado, com a competente armação em ferro, levando uma porta em ferro; construir as colunas, assim como os corpos de cima que serviam de sustentação à armação da cobertura, em cimento areado; fazer 8 corpos de grades de ferro, com a espessura de 15 mm, em vergalhão; fazer uma porta em ferro com ventilador; todos os trabalhos executados em cimento areado seriam feitos com cimento LIZ e areia lavada do rio, na proporção de ⅓ de cimento por ⅔ de areia, conforme a planta; o prazo para a conclusão das obras seria de três meses, contados a partir do acto de adjudicação.
Relativamente à construção da cúpula do coreto, a mesma só viria a ser arrematada a 5 de Agosto de 1933, a Evaristo Ferreira, carpinteiro desta vila, por 4.000$00, comprometendo-se o mesmo a: fornecer todos os materiais necessários, devendo a madeira ser de “pinho da terra”; construir o tecto todo em madeira, sendo os corpos apainelados; fazer 8 corpos almofadados, no referido “pinho da terra”, com a espessura de 3 cm; colocar telha de Valongo, longa e preta, do tipo n.º 2, de 30 cm por 20 cm; proceder aos remates nos rincões e na pirâmide do centro da cúpula com zinco n.º 12; entregar a obra concluída até ao dia 15 de Setembro, inclusive, provavelmente a pensar numa inauguração que coincidisse com o 41.º aniversário da Sociedade Filarmónica 25 de Setembro.
Contudo, chegados ao dia do aniversário, o coreto não pôde ser inaugurado já que o primeiro arrematante ainda não havia colocado as grades e a porta, apesar de na vila constar que as mesmas já estariam feitas.
A inauguração só se viria a concretizar dois meses depois, a 31 de Dezembro, com a presença da Filarmónica que aí deu um concerto a todos os títulos inolvidável, quer pela qualidade do regente, músicos e repertório, quer pelo facto de ter sido o primeiro de muitos que se lhe seguiram.
Inaugurado o coreto, havia que “requalificar” o espaço envolvente dando-lhe a dignidade que a presença de tal obra exigia, pelo menos isso era o que pensavam alguns montemorenses como o correspondente do Diário de Coimbra nesta vila quando, dirigindo-se ao presidente da Câmara Municipal, apelava à demolição imediata, nas proximidades do coreto, de umas “barracas imundas que servem para mictórios e que representam uma autêntica vergonha”.
Com a construção, em 1988, do Jardim Municipal e do seu anfiteatro, o coreto, em cujo redor “gerações de jovens dançaram, namoraram e sonharam”, entra num processo de lenta agonia, definhando e degradando-se a cada dia que passava. De facto, para além do anfiteatro se ter revelado, pela sua configuração e qualidade (espacial, acústica, visual, confortabilidade, proximidade, etc.), um local mais atraente para a realização de concertos, entre muitas outras manifestações culturais, também a presença do coreto dentro do perímetro do dito Jardim Municipal não foi benéfica para aquele, quer pela sua má localização dentro do mesmo, quer pela sua exclusão, por motivos óbvios, do recinto das “Festas da Feira Anual”, retirando-lhe o protagonismo de que outrora gozara como símbolo das festas associativas em Montemor-o-Velho.No entanto, durante Verão de 2005 recebeu importantes obras de beneficiação, orçadas em mais de 15.000 euros, que lhe devolveram a beleza e nobreza há muito perdidas. Das obras realizadas, cuja “cerimónia da recuperação” e apresentação oficial aos montemorenses decorreu no dia 10 de Setembro, merecem especial destaque: a manutenção das cores originais amarelo, cinzento e branco; a colocação de uma escada de ferro forjado, com 9 degraus, virada a Oeste (Poente); a substituição do inestético telhado em folhas de zinco por um telhado de oito águas, em telha lusa, a terminar em concha e folha com pináculo; a colocação de um tecto de madeira de pinho, com oito secções e fecho ao centro em forma de candeeiro; a aplicação de uma sanefa de madeira recortada ao longo de todo o beiral; e a afixação, em quatro dos oito corpos do piso superior e de forma intercalada, de grandes painéis fotográficos que homenageiam todos os que fizeram parte da Associação Filarmónica 25 de Setembro, das Orquestras Tivoli-Jazz Montemorense e Serra e Moura, e do Conjunto Montemayor, afinal de contas os agrupamentos que mais marcaram os 72 anos de história deste coreto.

